Netencyclo, The wikipedia mirror - Uma enciclopédia livre que está sendo construída por milhares de colaboradores de todo o mundo : Carlos Lacerda

- Carlos Lacerda -

Carlos Lacerda :

Carlos Lacerda

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Carlos Frederico Werneck de Lacerda (Vassouras, 30 de abril de 1914Rio de Janeiro, 22 de maio de 1977) foi um escritor e político brasileiro. Foi membro da União Democrática Nacional (UDN), vereador (1945), deputado federal (1947–55) e governador do estado da Guanabara (1960–65). Fundador em 1949 e proprietário do jornal Tribuna da Imprensa.

Índice

[editar] Origens

Filho do político, tribuno e escritor Maurício Paiva de Lacerda (18881959) e de Olga Caminhoá Werneck (18921979), era neto paterno do ministro Sebastião Eurico Gonçalves de Lacerda. Pela família materna, era bisneto do botânico Joaquim Monteiro Caminhoá e descendente direto do Barão do Ribeirão. Seus pais eram primos, descendentes em linhas afastadas de Francisco Rodrigues Alves, nascido nos Açores, o primeiro Sesmeiro da cidade de Vassouras.

Ingressa em 1929 no curso de Ciências Jurídicas e Sociais na então Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Abandonaria o curso em 1932, mas, durante seu período acadêmico, desperta como orador e participa ativamente do movimento estudantil de esquerda no Centro Acadêmico Cândido de Oliveira.

Ainda na Faculdade, torna-se militante comunista, seguindo os passos de seu pai e do seu tio Paulo Lacerda, antigos militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), mas romperia com o movimento em 1939, por considerar que tal doutrina "levaria a uma ditadura, pior do que as outras, porque muito mais organizada, e, portanto, muito mais difícil de derrubar". Orador e escritor, se consagrou como um dos maiores porta-vozes das ideologias conservadora e direitista no país.

Sua primeira ação anti-Getúlio, se deu em janeiro de 1931, quando foi descoberta e desbaratada pela polícia de Getúlio Vargas, liderada por João Batista Luzardo, uma conspiração comunista no Rio de Janeiro e em Santos, onde pretendia, junto com outros comunistas, participar de marchas de desempregados e atacar lojas comerciais. O caso foi notícia no jornal americano The New York Times.

[editar] O anti-Getúlio

Inimigo político de Getúlio Vargas, Carlos Lacerda foi o grande coordenador da oposição à campanha de Getúlio à presidência em 1950, e durante todo o mandato constitucional do presidente, até agosto de 1954. Uniu-se a militares golpistas e aos partidos oposicionistas (principalmente a UDN) num esforço conjunto para derrubar o presidente Vargas, através de acusações que publicava em seu jornal, Tribuna da Imprensa.

Lacerda foi vítima de atentado à bala na porta de sua casa, em 5 de agosto de 1954, quando voltava de uma palestra no Colégio São José, no bairro da Tijuca. No atentado morreu o major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz, membro de um grupo de jovens oficiais que se dispuseram a acompanhá-lo e protegê-lo das ameaças que vinha sofrendo. Atingido de raspão em um dos pés, Lacerda foi socorrido e medicado em um hospital. Lá mesmo acusou os homens do Palácio do Catete como mandantes do crime.

A pressão midiática e a comoção pública com a morte de Vaz obrigaram o governo a instaurar um IPM (Inquérito Policial Militar) para investigar o atentado. Rapidamente, os militares ligados a Lacerda fizeram do inquérito o palco perfeito para fomentar ainda mais a crise. Uma série de investigações levou à prisão dos autores do crime, que confessaram o envolvimento do chefe da guarda pessoal de Vargas, Gregório Fortunato e do irmão do presidente, Benjamin Vargas.

Com a conclusão do IPM (chamado na imprensa de "República do Galeão"), instaurado pelo Brigadeiro Nero Moura, Ministro da Aeronáutica, o presidente do Inquérito, indicado pelo Ministro, Coronel João Adil de Oliveira, informou, em audiência com o presidente Vargas, que havia a existência de indícios sólidos sobre a participação de membros da Guarda no atentado.

Dezenove dias depois, com o agravamento da crise política e o ultimato das Forças Armadas pela sua renúncia, Getúlio Vargas suicidou-se em 24 de agosto. O suicídio reverteu a opinião pública e provocou uma imensa onda de comoção e revolta. Isso obrigou Lacerda e parte de seu grupo a deixar o país. À época, milhares de revoltosos tomaram as ruas, empastelando jornais ligados à oposição e empresas americanas.

[editar] Lacerda e a posse de Juscelino

Lacerda participou ainda de nova tentativa de golpe de estado, em 1955, quando uniu-se aos militares e à direita udenista para impedir a eleição e a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek e de seu vice-presidente, João Goulart.

As manobras golpistas começaram já no período eleitoral, quando ocorreu o episódio da Carta Brandi, uma notícia falsa plantada pelos opositores no jornal de Lacerda, envolvendo João Goulart num pretenso contrabando de armas da Argentina para o Brasil.

Depois de eleito Juscelino, Carlos Luz, presidente interino à época, aliado aos militares e a Carlos Lacerda, tramaram um novo golpe, mas foram impedidos pelo General Teixeira Lott, da ala legalista do Exército. Durante anos o episódio ficou conhecido como o golpe de Lott, principalmente pela ação da mídia conservadora. Hoje se sabe que os golpistas eram os militares direitistas, associados a Lacerda e Carlos Luz.

Vencido na tentativa de golpe, Lacerda partiu para um exílio breve em Cuba, que ainda era uma ditadura conservadora, nas mãos do general Fulgêncio Batista, antes da revolução cubana.

Voltou em seguida para reassumir sua cadeira de deputado, e continuar a oposição a Juscelino Kubitschek, atacando, entre outras coisas, a construção de Brasília.

Juscelino não permitiu jamais o acesso de Carlos Lacerda à Televisão. Juscelino confessou a Lacerda, no encontro de Lisboa, em 1965, que se deixasse Lacerda falar na televisão, Lacerda o derrubaria do governo.

[editar] O derruba-presidentes

Em 1961, fez um discurso atacando, pela televisão, o Presidente Jânio Quadros, antigo aliado, que culminou com a renúncia deste em 25 de agosto.

Como Governador do antigo Estado da Guanabara construiu túneis importantes para o trânsito de veículos, como o Santa Bárbara e o Rebouças, ligando a Zona Norte à Zona Sul da Cidade do Rio de Janeiro. Sua grande obra foi, entretanto, a estação de tratamento de água e todo o sistema do Guandu, numa cidade onde a falta de água era crônica e que inspirava marchinhas de carnaval "Rio, cidade que nos seduz, de dia falta água, de noite falta luz". Construiu e urbanizou o Aterro do Flamengo e inúmeros estabelecimentos de ensino, ao mesmo tempo em que retirava parte da população pobre de favelas na Zona Sul e do Maracanã, criando o Parque da Catacumba, o Campus da UEG (atual UERJ) e alguns conjuntos habitacionais afastados (Cidade de Deus, Vila Kennedy). Essa política resultou no surgimento da Cidade de Deus, em Jacarepaguá e o aumento da população na Rocinha (zona sul). Seu Secretário de Obras foi o eminente engenheiro civil e sanitarista Enaldo Cravo Peixoto.

Foi acusado pelo escândalo dos mendigos assassinados jogados no rio da Guarda, afluente do rio Guandu, mas demitiu o Secretário de Segurança e nada foi provado.

Politicamente sempre foi grande adversário de Getúlio Vargas, do PTB e do comunismo.

Foi um dos líderes civis do golpe militar de 1964, porém se voltou contra ele em 1966, com a prorrogação do mandato do presidente Castelo Branco, pois segundo ele, a prorrogação do mandato de Castelo Branco levaria à consolidação do governo revolucionário numa ditadura militar permanente no Brasil, o que realmente aconteceu. Na verdade, muitos acreditam que a razão da oposição de Lacerda à prorrogação era o fato de que ele já havia se lançado candidato a Presidente da República para enfrentar Juscelino em 1965. Ele confiava que tinha sido considerado um bom Governador para o Estado da Guanabara.

[editar] A desilusão com 1964 e a cassação

Posteriormante, passou a dirigir a chamada Frente Ampla, movimento de resistência ao golpe, juntamente com João Goulart e Juscelino Kubitschek. Foi cassado em 1968 pelo regime militar.

Fundou a editora Nova Fronteira em 1965, que publicou importantes autores nacionais e estrangeiros, inclusive o dicionário Aurélio de 1975 até 2004. Escreveu numerosos livros, entre eles "O Caminho da Liberdade" (57), "O Poder das Idéias" (63), "Brasil entre a Verdade e a Mentira" (65), "Paixão e Ciúme" (66), "Crítica e Autocrítica" (66), "A Casa do meu avô; pensamento, palavras e obras" (77), "Depoimento" (78) e "Discursos Parlamentares" (82), estes dois últimos editados após a sua morte.

Carlos Lacerda morreu em 21 de maio de 1977, aos 63 anos.

[editar] Representações na cultura

Carlos Lacerda já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por Marcos Palmeira no filme "JK - Bela Noite Para Voar" (2005) e José de Abreu na minissérie "JK" (2006).

[editar] Ligações externas

Wikiquote
O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Carlos Lacerda.


Precedido por
José Sette Câmara Filho
Governador da Guanabara
19601965
Sucedido por
Raphael de Almeida Magalhães


Carlos Lacerda - Eventos recentes

Carlos Lacerda - Artigo em destaque

© 2008 Netencyclo - Netencyclo Página principal - Terms of Service - Política de privacidade - Avisos gerais
Netencyclo, the Wikipedia mirror : the biggest multilingual free-content encyclopedia on the Internet. O texto desta página está sob a GNU Free Documentation License. All Wikipedia content is licensed under the GNU Free Documentation License (see details). Content on this web site is provided for informational purposes only. We accept no responsibility for any loss, injury or inconvenience sustained by any person resulting from information published on this site. We encourage you to verify any critical information with the relevant authorities.